A Joia de Prata do Céutingida de vermelho
Eclipses de Câncer
Muita gente me ligou ou enviou e-mails pedindo explicações
acerca dos eclipses que acabam de ocorrer no signo de Câncer (26 de junho e 11
de julho). É difícil ter algo mais gritante a dizer além da exposição das
vísceras da condição humana, na invasão de nossas casas a que todos estamos
submetidos, com a revelação desses crimes hediondos que aparecem nos jornais e
na TV.
O que estamos sentindo, com participação coletiva quase que
ativa, é o orvalho do tempo (cotidiano) manchado de sangue do nosso dia a dia. Talvez por isso a Lua, por vezes,
fica rubra, de vergonha, quando é eclipsada pela sombra das coisas que acontecem na Terra, e
cheia de tristeza não consegue refletir mais a luz do Sol.
É, são as coisas da
Terra e a condição humana que enrubecem a Lua, pois a Lua é destituída de
valor, é a jóia de prata do céu,
fria e desnuda a embelezar a noite, simplesmente linda a qualquer tempo, desde
sempre: espelho da alma.
ECLIPSE DA LUA
Orvalho do tempo manchado de sangue
Na jóia de prata do céu: espelho da alma desse tempo.
Nessas horas é preciso calma.
Muita gente é levada a rever as dinâmicas de seus
relacionamentos quando estão sujeitos a situações limites emocionais, tais
como ataques de fúria e ciúmes, arbitrariedade, abusos ou violência, extrema
dependência e possessão.
Eis que eclipses revelam para o mundo, até onde se pode chegar na ausência de luz, a condição humana.
ECLIPSE DO SOL VISTO NA ILHA DE PASCOA:
- Mistério dos mistérios
As três ilhas:
Rapa Nui ("ilha grande")
Te pito o te henúa("umbigo do mundo")
Mata ki te rangi ("olhos fixados no céu").
Ninguém sabe ao certo a origem ou o modo como as gigantes estátuas monolíticas
(Moais - 10 metros e 90 toneladas) foram feitas e colocadas ali naquela longínqua ilha vulcânica - montanha que emerge do mar - a 3.500 km da costa do Chile no Oceano Pacífico. Nem muito menos qual o motivo que levou aqueles povos primitivos a realizar tal proeza. Mistério dos mistérios: a foto acima reproduzi tal beleza.
Parece que os "Moais" foram colocadas ali para assistirem desde sempre e para sempre o eterno nascer do Sol, e de tempos em tempos, os eclipses, ou as aparições matutinas de Vênus.
Ou estariam por revelar algum segredo? Seria um sinal para o mundo ver? O que estariam por dizer?
A revelação do negativo

Podemos construir uma interessante analogia com
o fato de termos que nos munir de "negativos de fotografia" para
olhar para o Sol quando dentro de seu halo se encontra o disco da Lua, para
protegermos a retina na volta da luz.
O eclipse do Sol potencializa por mil os
pensamentos, sentimentos e ações, e permite que por breves momentos estejamos em
contato com a sombra, para trazer à tona o que precisa ser iluminado pela
consciência: as experiências que salvamos na alma.
Como um fotógrafo, vamos ao quarto escuro
revelar o negativo. Temos a consciência de nossa luz, mas não totalmente a sua experiência.
Como um ponto de luz de vela não pode ser visto ao meio dia, às vezes precisamos
sair da luz do Sol, e da Lua, passar pela escuridão da alma para reconhecer a
própria luz.
O ser humano em seu processo evolutivo a todo
instante rompe camadas, como um broto que sai da casca da semente e anseia pela
luz. Essa é a força de vida que nos faz despertar todas as manhãs. Talvez fale disso a cerimônia chamada "Abertura dos Olhos", na Ilha de Páscoa.
11 de julho de 2010