A Reuniãodo Conselho
Conselho de anciãos
- Stelium em capricórnio desde a Lua minguante/nova eclipsada.
Entre os dias 12,13 e 15 de janeiro, Hécate, a velha anciã dos tempos, encontra-se com Hades, príncipe das trevas, ou rei do mundo das sombras. Hermes, mensageiro dos deuses, coloca-se à espreita para levar algum recado para a ciumenta e bela Afrodite, enamorada de Hélio, aquele que tudo vê, o deus solar. Esse estranho simpósio acontece sob o domicílio invernal de Cronos, o senhor do karma e do tempo, que por sua vez tem uma foice na mão e repousa sob o fulcro da balança. É chegada a hora e o fim da espera.
O que acontece em seguida? Eclipse. O Dragão há de devorar a luz do Sol que, em alguns recônditos do planeta Terra, nascerá apagado.
A descrição desse cenário serviria como uma bela introdução a algum macabro filme de terror. Bastaria para tanto Hécate e Hades confabularem entre si, seus ardis e perigosos feitiços e poderes. Imagine uma remota área desértica da psique devastada por sensações de fadiga e “re-sentimentos”, de escassez e abandono. Conversas com estados obscuros da alma. Chagas, feridas e vinganças, enquanto reina um ar de indiferença e ignorância na cortina de fumaça que envolve o pano de boca do palco. O teatro está vazio como uma taça dourada de vinho tinto e seco que sequer chegou a ser saciada. Néctar e veneno se misturam para disfarçar o gosto na boca da ânsia no estômago. Não há saída nem entrada. As portas da emergência estão há muito emperradas. O que se anuncia? Para onde vão as tênues esperanças? Existe alguma solução que ainda não conhecemos?
Hécate acende um charuto rasgando uma ponta com os dentes, e cospe no chão. Ali onde cai a saliva queima um ácido corrosivo que abre uma cratera por onde escorre uma seiva que penetra até o mundo de Plutão. Uma risada fúnebre em tom gutural sai das estranhas entranhas pela garganta e ecoa pelos vales desolados da lassidão humana. Não há o que fazer. Serão dias de mudos terremotos. O que foi feito se desfez, libertam-se os grilhões dos pesadelos e do passado . Não há dor. A realidade passa ao largo. Hermes se prepara para a travessia, psicopompo autoriza o cortejo. Do outro lado existe alegria sem desespero ou exagero. Não há mais solidão, apenas entrega; não se trata de desistência, apenas de resignação.
comentário pós terremoto no Haiti:
Comentário:
Sincronicidade: símbolos, mitos e aforismos.
Não é de meu feitio fazer previsões, muito menos catastróficas. Aliás, meu principal direcionamento na prática astrológica tem sido sair da demanda meramente oracular do horóscopo, para usar os mapas que a astrologia oferece para fazer prospecção e construção de cenários futuros mais precisos.
No entanto, também como escritor, às vezes, sou tomado por idéias, percepções inspiradas pelos símbolos, mitos e aforismos astrológicos. Torna-se inevitável a tentativa de traduzir tais sentimentos e intuições, em forma de textos que até mesmo para mim parecem incógnitos, ou de linguagem hermética e cifrada, como se apenas permitido fosse traduzir uma sensação, ou alusão a algo, a algum acontecimento a seguir, mas não o fato evidente em si.
Foi desse modo que publiquei no site da Oficina de Astrologia, o artigo Reunião do Conselho, onde trato através de aforismos, mitos e símbolos, do importante stellium que está ocorrendo no signo de Capricórnio, culminando no eclipse do Sol no dia 15 de janeiro.
O texto foi escrito logo após a Lua Cheia de Eclipse na última noite do ano. Confesso que relutei em publicar, pois fora produzido de forma direta, sem muito filtro da razão. Mostrei para algumas pessoas que apreciaram o estilo, mas até mesmo eu fiquei com uma sensação de enjôo no estômago, nesses dias que antecederam a conjunção, e não podia imaginar a dimensão da tragédia que estava por vir.
Originalmente o texto dizia "entre 12 e 15 de janeiro",
exatamente na data do terremoto do Haiti, : ..."serão dias de mudos de
terremotos" (na primeira página do Jornal Extra de hoje - 14/1, vemos uma foto e um subtítulo: "O que falar?'). Mas a minha saga racionalista, ao consultar as efemérides
planetárias dizia: entre 13 e 15 de janeiro. O texto foi publicado antes do
sinistro, conforme é visto nos comentários de Viviane e Monica.
Em hipótese alguma reivindico ter previsto tal tragédia, que ocorre no Haiti,
apenas gostaria de sinalizar, estarrecido, a presença da sincronicidade
traduzida pelo texto, entre os símbolos astrológicos, os mitos e os
acontecimentos.
Um abraço fraterno com solidariedade ao sofrimento desse povo.


