"Entredois eclipses"
Reflexões sobre os eclipses de Câncer em 2010:
O lançamento mundial tão esperado do filme "Eclipse", curiosamente, ou por sincronicidade, acontecerá no dia 30 de junho - entre os eclipses de Câncer, da Lua (26 de junho) e do Sol (11 de julho) - este último por sinal, ou por algum presságio, cai no dia da grande final da Copa do Mundo na África do Sul.
Os mapas dos eclipses e o cone Sul:
veja o desenho da sombra do Eclipse do Sol sobre a Terra:
A Jabulani gira para o Sul.
Argentina X Alemanha
Brasil X Holanda
Paraguai X EspanhaUruguai X Gana
Estaria também o Chile, se não tivesse sido eliminado pelo Brasil. Deriva daí a analogia da crescente crise européia, a decadência daquelas economias que parecem jogar como seus times. Recheados de jogadores naturalizados, esses países acabam pagando peso de euro/ouro pelo talento dos nossos atletas. Isso talvez sinalize a predominância e a ascensão de uma força jovem, de renovação, sobre o velho mundo que começa a declinar e a se curvar para baixo, para o Sul!Algumas possíveis analogias sobre os eclipses:
Pelo fato dos eclipses serem acontecimentos cósmicos objetivos, perceptíveis a olho nu, tanto o do Sol, como o da Lua (apesar de formas diferentes), podem corresponder a algum acontecimento externo, concreto, sobre o qual não temos nenhuma interferência ou controle, mas que provocam um profundo impacto em nossas vidas, principalmente quando algum importante ponto de nosso mapa natal é ativado.
Quase sempre os fatos que ocorrem nessas ocasiões se encontram fora de nosso círculo de influência pessoal, porém nos afetam diretamente e às vezes de forma duradoura. Não interessa a proporção do acontecimento, pode ter a dimensão de um terremoto que atinge a vida de muitos, como foi no Haiti, em janeiro de 2010, dentro do orbe da Lua Nova de Capricórnio, ou, até mesmo às vezes, um pequeno incidente doméstico, casual, na esfera de nossa vida íntima e particular. O impacto do fato objetivo, da pressão exterior, afeta o subjetivo e o interior de cada um de nós. A pressão externa que sentimos durante o período de um eclipse é análogo ao "efeito estufa": do mesmo modo que uma fruta é levada a amadurecer, fora do pé, em um curto espaço de tempo temos que confrontar situações que levariam anos para serem processadas, ou resolvidas. Vivemos a experiência do tempo concentrada. Em muito pouco tempo o processo de amadurecimento de uma dada situação é acelerado, de forma intensa e concentrada.
No caso do eclipse solar, o dia passa por todas as etapas de um dia, em poucos minutos, e no caso do eclipse lunar, em algumas horas, a Lua passa por todas as fases que levaria um mês inteiro. Vivemos a experiência da contração do tempo, a partir de algo que nos ocorre, que acontece lá fora, de um fato objetivo ou situação que está além do controle ou do nosso círculo de influência imediato.
A interrupção momentânea e periódica da projeção da luz do Sol (fonte), ou do seu reflexo na Lua (filtro) sobre a Terra tem um profundo impacto no nosso psiquismo. Não apenas pela percepção numinosa da existência de uma ordem perfeita, de proporções quase exatas e previsíveis que rege o universo, mas também pelo fenômeno em si, que acontece devido ao fato de Sol e Lua, astros tão distintos e de tamanhos tão diferentes, se colocarem em determinadas posições, de tal forma que, quando vistos da Terra, parecem ter o mesmo tamanho. Sincronismo da natureza. Saber com antecedência quando, de que forma e onde tais eventos irão acontecer suscita a ilusória sensação de poder ter o controle da situação, mas na verdade nos damos conta de que, independente de saber ou não, o fato é que algo acontece. Da mesma forma “algo acontece”, à revelia, em nossa vida quando ocorre um eclipse: saber da sua existência, quando, onde e como vai acontecer ajuda, sim, a estar mais presente, a observar melhor a si mesmo e a fazer as devidas correlações com os acontecimentos que por ventura possam ter analogia com seus significados.
Mesmo sabendo que os eclipses acontecem com previsibilidade sempre somos pegos de surpresa, quando observamos esses inestimáveis espetáculos de harmonia e beleza oferecidos pela natureza. Recordo-me bem da excitação que ficamos quando assistimos ao eclipse total do Sol, em março de 2006. Desde a correria, como caçadores de eclipses, para chegar àquela praia no nordeste do Brasil, ainda antes do Sol nascer, até um fato que me chamou muita à atenção: o estado alterado de um astrônomo, que descrevia aos berros excitados, a cada dez segundos, cada estágio do que era previsto acontecer, como que ao narrar um jogo de futurologia pudesse tomar para si a sensação de fazer o eclipse acontecer.
Como astrólogos, ou observadores e intérpretes do céu que somos, precisamos ter ainda mais cuidado, ao perceber o fato astronômico objetivo, para não o tornarmos prenhe de nossa subjetividade, e para não tomarmos para nós o poder de saber com exatidão o que irá acontecer, além da precisão do astrônomo, ao apenas descrever os estágios de um eclipse solar.
Compartilhando a experiência de um eclipse solar que assisti na Praia dos Golfinhos/Natal - RN - com montagem e fotos de Iuri e Luis Carlos: veja o vídeo com a sequência de fotos feitas ao vivo durante o último eclipse solar visível no nordeste do Brasil.


