Reflexões apósLua Cheia
Dia de Júpiter
“Esvaziar o que está cheio, encher o que está vazio.”
“Todo momento tem uma qualidade. Tudo que nasce ou surge desse momento, está impregnado dessa qualidade: sincronicidade.”
A lua já ia alta, projetando raios prateados na noite por trás das copas das árvores. Cálice de prata transborda no coração de Leão as águas da sabedoria de Aquário.
O Sol em Aquário, único signo representado por um Homem, verte do céu uma chuva de estrelas que simbolizam as luzes da consciência e da autoconsciência compartilhadas, a força da mente que esparge a água que tem o sabor da experiência.
Fizemos um círculo com os pés descalços na grama úmida evocando o ciclo dos luminares. Cantamos e dançamos a oração do Oremá, brincando de roda e ativando a alegria no coração da Terra ritmando os passos com o próprio coração. Em resposta a Terra exala um cheiro verde de frescor. Sincronismo: coração da Terra, coração do homem, coração de Leão, com a Lua Cheia no céu. Foram momentos de rara harmonia. Entramos no espaço sagrado de Vraja Bhumi. Dançamos não apenas em círculo, mas para todos os lados. Para frente, para trás , e sem perceber invertemos a roda, todos de mãos dadas nos voltamos de costas para o centro. Viramos o avesso colocando para fora do círculo o que precisava sair. Estávamos prontos para receber água nova.
Na Lua cheia de aquário, esvazia-se de pensamentos então, o cântaro da mente, para encher o coração de alegria. O coração pleno de alegria não tem espaço para resíduos de tristeza, bombeia de volta para a mente, desta feita vazia, sensações plenas, de satisfação e certezas de amor. E o ciclo reinicia. A experiência do amor se liberta em forma de chamas ardentes, como fogo do Sol que se desprende da madeira e deseja retornar à fonte de toda a vida, que são as estrelas. A essência espiritual do fogo, representada pelo Sol, é a energia criadora do universo na sua polaridade masculina que coloca em movimento a essência espiritual da água, energia feminina representada pela Lua. A combinação das duas qualidades, uma vertical, ativa, outra horizontal, receptiva, gera todas as coisas e formas de vidas entre o Céu e a Terra, dizem as antigas tradições espiritualistas.
Do mesmo modo que o Sol e a Lua vistos da Terra têm a mesma forma e tamanho e estabelecem constantes interações, feminino e masculino, cada um ao seu modo, têm a mesma importância dentro de uma relação. Quando o equilíbrio e a harmonia prevalecem, a lei do menor esforço entra em ação, e tudo flui, como as águas do rio sempre correm para o mar e se projetam pelos caminhos sem impedimentos, de menor resistência, gerando transformações por onde passam.


